terça-feira, 11 de janeiro de 2011
O rapaz da mesa ao lado
Ela estava ali, na estranha noite fria do verão de dezembro, olhando a mesa ao lado. Nunca havia reparado nele, apesar de já terem se visto bastante através de amigos em comum, mas agora o via com olhos diferentes, de desejo.
Pensou em levantar e dizer "oi", oi o que? Dizer oi e ficar com cara de idiota? Não, melhor não. O amigo que estava com ela não parava de falar, ela se fingia interessada no assunto, resolveu acender um cigarro, cigarro é um hábito que ocupa as mãos, por isso fumava tanto, para ter o que fazer com as mãos. "Não tenho isqueiro, merda! Tu tem um isqueiro aí?" O amigo não tinha isqueiro, lembrou do rapaz da mesa ao lado, era o plano perfeito!
Na pré história o fogo socializava, depois que o homem descobriu como fazer fogo, começou a andar em bando, descobriram água e estacionaram pelos arredores. Fogo socializa, água civiliza. Fato que acontece até hoje, a água é a cerveja e a fogueira é o isqueiro. Pedir isqueiro é ótimo para puxar qualquer assunto, qualquer um que tiver um isqueiro nunca vai negar de emprestar, ela levantou e foi até o rapaz da mesa ao lado pedir isqueiro. Ninguém tinha, ele a chamou pelo nome e se ofereceu para ir até uma outra mesa pedir isqueiro, ela tentou ser agradável, falou com os amigos dele enquanto ele ia em busca de fogo, pensando o quanto ele era fofo, educado, prestativo... Voltou com o cigarro aceso, conversaram um pouco, ela agradeceu e foi pra sua mesa.
Tomou todas que podia, as palavras saiam moles, os olhos sorriam, os lábios gargalhavam, desce outra, desce outra... Visão turva, cabeça pesada e um belo rapaz na mesa ao lado. Hora de ir embora, ela queria ficar lá, ele estava lá. "Você já está bebada, hora de ir, vamos, te deixo em casa."
Levantaram, ela: totalmente desequilibrada, ainda queria dar tchau pro rapaz da mesa ao lado, foi cambaleando até ele, agachou ao seu lado "Como é o seu nome?" Ela já sabia o nome dele, mas não tinha certeza. Ele disse sorrindo, ela disse "tô indo". se despediram com um beijo no rosto e ela foi.
Outro dia, mesmo bar. Ela sentou, acendeu um cigarro, pediu uma cerveja, estava com suas amigas, seus olhos passearam por todas as mesas, ele também estava lá.
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